Na hierarquia das gemas mais raras a esmeralda ocupa a 3ª posição, antecedida somente pelo rubi e pela turmalina Paraíba. Quando nos referimos a raridade gemológica, estamos no referindo, efetivamente, a comparação do quanto é difícil encontrar tais gemas na sua melhor qualidade (tamanho, cor e pureza).
O mercado joalheiro internacional está acostumado a ter uma forte demanda por este belíssimo espécime mineral que adornou coroas, joias e indumentárias da realeza de inúmeros países orientais e ocidentais há mais de 600 anos. Por este motivo a esmeralda é procurada até os dias de hoje para adornar refinadíssimas joias cujo objetivo será satisfazer o consumo daqueles que podem se dar ao luxo de vestir e ostentar esmeraldas de boa a excelente qualidade sem se preocupar com o preço. Sua cor – verde grama – exuberante, combina com todos os tons de pele. Independentemente da qualidade (cor e pureza) as esmeraldas despertam um certo fascínio em todas as mulheres, assim como os diamantes. São raras as joalherias de padrão classe A que não tem, pelo menos, um conjunto de joias confeccionadas com esmeraldas em suas vitrinas.
Como todas as gemas, a natureza se encarregou de produzi-las (gemologicamente) e o homem, de encontra-las, classifica-las e precifica-las (comercialmente). As mais cristalizadas, de aparência vítrea, com cores mais vivas, são as mais valorizadas. Não esquecendo que o tamanho (peso) também irá influenciar diretamente no preço. Aquelas menos transparentes e de cores mais claras terão seus valores mais modestos. Em quase todas as esmeraldas podem ser observadas inclusões internas naturais, vistas a olhos nus. Umas mais evidentes do que outras. Para minimizar essas imperfeições que podem causar estranheza aos consumidores menos informados sobre a natureza e formação das esmeraldas, elas são submetidas a um tratamento a base de óleo natural incolor que, por um determinado período de tempo, irá evidenciar sua cor e brilho, tirando a total atenção ás suas impurezas. As esmeraldas super cristalizadas que não necessitam deste tratamento são muito raras e com isso, tem seus preços muito elevados em comparação com as demais. Por elas serem tão belas e elegantes é que as apelidamos de “Esmeralda – A gema da Coroa”.
As esmeraldas que carregam uma tradição mais ostensiva no quesito qualidade, são as colombinas. O mundo das pedras preciosas foi transformado com a descoberta das minas da Colômbia, pelos conquistadores espanhóis. Desconhecidos pelo resto do planeta, nativos colombianos já adornavam seus penduricalhos com as belas esmeraldas de cor verde intensa há, pelo menos, mais de 500 anos antes dos espanhóis invadirem a América do Sul. Após receberem dos indígenas locais amuletos feitos de esmeraldas, por volta de 1537 , Cortez e Pizarro apresentaram esta magnífica gema à Europa. Os melhores exemplares de gemas retirados das minas localizadas aos arredores de Muzzo e El Chivor foram vendidos para Marajás da Índia, para sultões da Turquia e para reis da Pérsia. Assim, estas localidades produtoras da Colômbia, passaram a sustentar uma tradição internacional quando o assunto é “esmeralda de alta qualidade”. Já, a primeira ocorrência descoberta no Brasil foi a de Salininha (Bahia), na década de 1960 e que teve como padrinho desta descoberta o saudoso e inigualável Jules Roger Sauer. Logo depois, na mesma década e na década seguinte (60-70-80) foram descobertas outras ocorrências de grande importância gemológica, também na região da serra da Carnaíba e Socotó. Depois vieram as minas de Itabira e Nova Era em Minas Gerais, assim como a de Santa Terezinha em Goiás. Hoje, a mina considerada de maior valor produtivo (quantidade X qualidade) é a de Nova Era. Seus exemplares de alta qualidade chegam a impressionar até mesmo os comerciantes internacionais mais experientes.
Embora exista na Europa um pequeno preconceito contra as esmeraldas brasileiras, fato este fomentado, principalmente, pelos produtores colombianos que sentiram a tradição e o preço das suas esmeraldas praticados no mercado internacional ameaçados pela alta qualidade e baixo preço das brasileiras, ninguém consegue segurar o folego quando se depara com a estupenda beleza de uma gema de qualidade produzida em Nova Era. Por esta razão é bom saber que a origem (mina/localidade) de uma gema não é certificado de boa ou má qualidade. Pode sim servir, apenas, como uma orientação, mas não é determinante. A Colômbia, assim como Brasil, Zâmbia e Paquistão produzem gemas de qualidade fraca, média, boa e excelente. O que determina a qualidade de uma gema são seus próprios méritos. No caso das esmeraldas devem apresentar boa cristalização, tamanho (peso), cor intensa, mas não muito saturada e poucas, ou nenhuma, fratura externa e interna.
O Brasil é um dos maiores produtores de esmeraldas do mundo, ficando atrás somente da Colômbia e seguido de pertinho pela Zâmbia (África). São centenas de milhares de quilates produzidos, onde mais de 70% dessa produção é exportada para Europa, Estados Unidos, Japão e para outros países da Ásia.

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