Turamali em sinhalês – idioma de Sri Lanka – significa pedra colorida. Aí se deu a origem ao nome de umas das gemas mais comercializadas no mundo, a Turmalina. Este mineral encontrado em todas as cores do spectro, além de suas misturas e nuances, é tida como o mineral das 1001 cores. É encontrada em diversos países como Afeganistão, Austrália, Burma (Myanmar), India, Madagascar, Malawi, Mozambique, Namíbia, Nepal, Nigéria, Paquistão, Rússia, Zambia, Zimbabwe, Sri Lanka, Tanzânia, Estados Unidos, Zaire, Ilha de Elba (Itália), Suíça e Brasil. Este último é considerado o maior e mais importante produtor deste mineral que, além da joalheria é também empregado em diversos setores da indústria.
No setor joalheiro, as cores mais desejadas são os verdes bandeiras (verdeítas), as verdes azuladas, as vermelhas (rubelitas) e as rosadas. Suas cores e nuances, geralmente, são devido a presença de elementos químicos como o Li (lítio), Ca (cálcio), Fe (ferro), Mn (manganês) e Mg (magnésio) misturados a sua complexa fórmula mineral básica – NaAl 6 (BO 3 ) 3 ,Si 6 O 18 (O,F) 4. Porém no final da década de 80, devido a obstinação implacável dos nossos caçadores de gemas (garimpeiros), no interior pobre e escaldante do Estado da Paraíba, precisamente no distrito de São José da Batalha, foi descoberta uma variedade única deste mineral com uma intensidade de cor jamais vista. Era de uma cor azul-neon que impressionava até mesmo aqueles já veteranos do segmento gemológico.
Informado da ocorrência de gemas no subsolo paraibano, no começo dos anos 80 o mineiro, de origem, Heitor Dimas Barbosa decidiu garimpar na região. Com licença do governo federal, escavou durante sete anos. Em 1989, achou um punhado de turmalinas, estranhou a cor e mandou para análise no maior laboratório de gemas do mundo, na Califórnia, o Gemological Institute of America (GIA). A resposta chegou em poucos dias: eram pedras únicas, até o momento, em nosso no planeta. O GIA ficou tão impressionado que publicou uma reportagem de nove páginas em sua revista, e assim a turmalina de cores extraordinárias da Paraíba se tornou conhecida, no meio profissional, como Turmalina Paraíba. O diferencial da cor deste tipo de turmalina, a Paraíba, é que o Cu (cobre) é seu principal elemento cromóforo (aquele que é responsável pela cor). Após alguns anos, foi descoberto na África, precisamente, na Nigéria e Mozambique turmalinas com suas composições químicas muito semelhantes às nossas Paraíbas, porém com cores muito mais claras, em relação as nossas brasileiras. Após longos entraves nos bastidores da CIBJO (Confederação Internacional do Setor Joalheiro) ficou decidido que todas as turmalinas que apresentarem Cu (cobre) e/ou Mn (manganês) em suas composições químicas, seriam denominadas de Paraíbas, independentemente de sua origem, desde que demonstrassem o tom neon.
Após alguns anos, os preços desse raro tipo de gema ascenderam de forma meteórica. É a lei da oferta e procura. Hoje, embora não se compare em tonalidade de cor com as nossas brasileiras, as Paraíbas africanas têm tido uma demanda muito boa no mercado internacional. Talvez, devido ao seu valor de comercialização que é, comparadamente, com as nossas brasileiras, bem mais em conta. Essa diferença se dá, basicamente, pela cor. As brasileiras de boa qualidade são, definitivamente, únicas no mundo e são realmente raras. Gemas com mais de 3 quilates e com boa cristalização são consideradas gemas para coleção e podem atingir até US$ 80.000 por quilate. Com as cores verde esmeralda, azul turquesa, azul safira, índigo, violeta azulado e roxo, essas turmalinas, ou melhor, Paraíbas, estão dando o que falar nos mais altos patamares da joalheria internacional. Porém, tomem cuidado!!! Somente são consideradas Paraíbas aquelas que contem cobre. As demais, embora sejam de cor azul claro (sem neon), são apenas turmalinas e seus preços condizentes com a sua abundância no mercado.
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