Água-marinha é o nome comercial dado a gema de cor azulada bastante apreciada e procurada pelo setor joalheiro internacional. Ela pertence a família do mineral berilo que quando, de qualidade gema, apresenta-se límpido, transparente ou translúcido, de brilho intenso, vítreo, bem cristalizado, com belas colorações, formando as variedades preciosas lapidáveis, denominadas de gemas. Suas nomenclaturas comerciais irão variar de acordo com suas colorações. Se a cor abranger todo o espectro do azul, refletindo as tonalidades encontradas no mar ao longo do imenso litoral brasileiro, é denominado de água-marinha.
Embora a natureza não faça distinção no resultado de cor e pureza, quando utiliza de todos os seus recursos e artifícios para formar na sua crosta este magnífico mineral, o homem já o observa com critérios diferenciados quando vislumbra sua aplicação em joias ou coleções particulares. Dependendo do propósito, a água-marinha será mais atraente e valorizada na sua aparência vítria, com cores mais acentuadas e livres de inclusões naturais. O mercado joalheiro classifica aquelas mais escuras, de tamanho mais expressivos e livres de inclusão como sendo as de qualidade extraordinária. Isso vale, pelo fato de que a natureza irá nos apresentar muito pouca quantidade deste mineral nessas condições. As mais claras são menos valorizadas, em relação as mais escuras, porém muito apreciadas e utilizadas em confecção de joias com propósito para o uso diário. Podemos encontrar diversos preços diferenciados, variando de acordo com o grau de cor porém, é impossível classifica-las em uma tabela de preços pelo fato de que, cada empresa realiza a sua classificação de escala de cor própria.

No final dos anos 50, em virtude dos magníficos olhos azuis da mais bela jovem coroada Miss Brasil de 1954 e 2ª colocada no concurso de Miss Universo, Martha Rocha, esta tonalidade de azul intenso que apresentavam algumas águas-marinhas ficaram popularmente conhecidas como “azul Martha Rocha”.
Água-marinha é a uma das gemas mais conhecidas e admiradas em todo o Mundo. É, certamente, a gema mais característica e representativa do Brasil, que deteve a supremacia histórica da produção mundial durante todo o século XX. Arriscamos dizer, no segmento joalheiro, que ela é uma espécie de “embaixadora da gemologia brasileira”, devido a sua importância nos primórdios do desenvolvimento do mercado joalheiro moderno que se deu início após a II Guerra (1938 – 1945), nos anos 50, suprindo o mercado joalheiro e os acervos dos principais museus de mineralogia ao redor do mundo, com magníficos exemplares durante este período.
O Brasil detém uma das maiores potencialidades geológicas do mundo para depósitos de berilo industrial e de qualidade gema, que são os jazimentos de pegmatitos graníticos. As atuais reservas oficiais conhecidas destes pegmatitos são as Províncias Oriental do Brasil, que englobam os Estados de Minas Gerais (detentor das maiores reservas), Rio de Janeiro, Espírito Santo, Bahia e Ceará.

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